
A primeira vez que o vi foi impossível não ficar olhando para aquele sorriso que ia de canto a canto. Nunca tinha visto um sorriso como aquele, era espontâneo, verdadeiro, sincero. Ele mal me conhecia, mas deu um sorriso. Estava com fone no ouvido. Fiquei interessada em saber seu nome, mas não podia me entregar tão facilmente assim. No outro dia, minha amiga havia dito que ele não parava de me olhar. Disse a ela que era coisa da cabeça dela. Depois notei que realmente ele não parava de me olhar.
Na semana seguinte, respirei fundo, criei coragem e fui perguntar seu nome e convidá-lo para almoçar com minha turma. Sempre o via almoçando sozinho, então dei a desculpa que depois do almoço iamos jogar sinuca. Ele aceitou o convite. Almoçamos, e eu fiquei meio envergonhada por ele ter sentado justamente na minha frente. A conversa fluiu naturalmente.
Depois do almoço, fomos jogar sinuca. Ficamos de canto esperando a nossa vez de jogar. Enquanto isso, ele se aproximou e perguntou se eu podia passar meu número e Facebook - É claro que eu podia passar -. Trocamos o número, e fomos jogar. Mais tarde, ele já havia me adicionado no Facebook, e mandando uma mensagem lá mesmo. Nem preciso dizer que fiquei feliz, né.
Os dias iam passando, e nós iamos nos aproximando cada vez mais. Estava na cara que ele queria ficar comigo e eu também queria ficar com ele. As pessoas já perguntavam se estávamos namorando por nos ver sempre juntos conversando. E realmente, parecíamos. Ele me ensinava a jogar futebol no vídeo game, e me deixava ganhar algumas vezes. Ele me falava sobre sua mãe, sobre seus sentimentos e me mostrava seus textos. Eu gostava de conversar com ele. Quando estavamos ao telefone, ele me esperava dormir para desligar, dizia que queria ouvir minha respiração.
Mas como tudo não é um mar de rosas, ele disse que não poderia ficar comigo por causa da minha idade. Mas como assim? Ele só tinha 18 anos, e eu tinha 17. Não tinha tanta diferença assim, pelo menos não para mim. Depois disso, nos afastamos um pouco. As ligações diminuíram durante as madrugadas. Os sorrisos não eram mais dados com tanta frequência.
Até que um dia, ele muda o status do relacionamento do Facebook "Passou de solteiro para um relacionamento sério". Fiquei olhando aquela frase durante alguns minutos, e não acreditei. Foi difícil aceitar, porque eu estava apaixonada por ele. Então fui dormir para esquecer o que tinha lido, o dia seguinte seria melhor - era o que eu imaginava -. Quando deu 01:43h da manhã, ele me manda uma sms, dizendo:
"Me desculpe. Eu me apaixonei por outra pessoa. Não quis te magoar. Você é uma pessoa incrível, logo vai encontrar alguém tão incrível quanto você. Quis te falar primeiro, antes que alguém te conte de uma outra forma que estou namorando. Quero continuar com nossa amizade. Me desculpe"
Então era verdade. Ele estava namorando. E nada mais passava na minha cabeça, sem ser aquele sorriso de canto a canto, que me deixava com sensações boas. Não conseguia parar de ouvir a voz dele dentro da minha cabeça. Eu não queria mais vê-lo. Até que paramos de conversar. Eu tinha que esquecê-lo.
Os dias foram passando, e voltamos a conversar aos poucos. Descobri, que a namorada dele tinha 15 anos. Enquanto ele "não pode ficar comigo por conta da idade". Os dias iam passando conforme tinha que passar. Trocavámos uma sms ou outra, quase nada. Até que ele me liga. Não conseguia atender, o celular estava sem área. Então, um novo número me liga. Atendi. Era uma garota. Começou a me xingar, a falar besteiras para mim, e dizendo que era pra eu ficar longe "dele". Fiquei assustada, e disse que não queria mais nada com ele. Após ela desligar, fiquei brava. Era a tal namorada dele. Mas como ela ousa vir falar asneiras para mim, sem me conhecer? E porque ele não a impediu?
Cinco dias depois, ele veio falar comigo: "Me desculpa pela minha namorada ter te ligado e falado tudo aquilo". Eu desculpei. Mas eu sabia que aquelas minhas palavras eram da boca pra fora. Não consigo desculpá-lo.
Hoje passamos pelos corredores do trabalho sem nos olhar. Passo do lado dele de cabeça baixa para não ter que olhar aquele sorriso de canto a canto. Não nego que ainda gosto dele e tenho vontade de ter uma boa conversa, como aquelas que tinhamos. Mas não ia dar certo. Eu sei que será dificil esquecê-lo e esquecer todas as nossas conversas, mas o deixarei seguir. Quem sabe um dia ele volte. Mas até lá, pode ser tarde para recomeçar.



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